Encontrar pelos no sofá, na roupa ou na escova faz parte da rotina de quem convive com gatos. O ponto de atenção não é apenas a quantidade de fios espalhados pela casa, mas perceber se a pelagem está ficando mais rala, se surgiram falhas ou se a pele e o comportamento do gato também mudaram.
Entenda agora quando a troca de pelos é normal, quais problemas podem causar queda excessiva, como o veterinário investiga a origem do problema e quais sinais indicam que é hora de procurar atendimento.
É normal o gato soltar muito pelo?
Sim. Os pelos dos gatos passam naturalmente por ciclos de crescimento e queda, então encontrar fios pela casa não significa, por si só, que existe uma doença. A intensidade pode variar entre indivíduos, ao longo do ano e conforme fatores como ambiente, fotoperíodo, tipo de pelagem e rotina.

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A troca natural costuma acontecer sem deixar áreas calvas e sem alterações importantes na pele. Já uma perda de pelo anormal pode ser localizada, difusa ou até simétrica. Falhas no pelo, fios quebrados, coceira, lambedura excessiva, crostas, feridas, descamação, vermelhidão ou mudanças no comportamento indicam que vale investigar a causa.
Em resumo: encontrar pelos pela casa pode ser normal. O principal sinal de alerta é perceber que a pelagem do gato está ficando visivelmente mais rala ou que a pele também apresenta alterações.
O pelo está caindo ou o gato está quebrando os fios ao se lamber?
Nem toda falha na pelagem acontece porque o fio caiu pela raiz. Em muitos gatos, os pelos são quebrados ou removidos durante a própria lambedura. Como os felinos passam bastante tempo se limpando e podem fazer isso longe do tutor, nem sempre é possível perceber que existe lambedura excessiva.
Um sinal que pode chamar atenção é encontrar pelos muito curtos ou com aspecto de terem sido aparados em determinadas regiões. Durante a investigação, o veterinário pode analisar os fios e suas pontas, em um exame chamado tricografia, para ajudar a identificar se a alopecia é autoinduzida.
A lambedura excessiva não significa automaticamente estresse. Coceira causada por pulgas, alergias, infecções e até dor precisa ser investigada antes de considerar uma origem comportamental.
Causas mais comuns para a queda de pelo em gatos
A perda de pelo é um sinal, não um diagnóstico. Para entender a causa, é preciso considerar o padrão da pelagem, a presença ou não de coceira, as alterações na pele, o ambiente, a alimentação, o histórico de parasitas e outros sintomas.
Alimentação inadequada ou deficiências nutricionais
A nutrição influencia a saúde da pele e da pelagem. Deficiências de proteínas, ácidos graxos essenciais, vitaminas ou minerais podem deixar o pelo opaco, ressecado e favorecer alterações na queda. Porém, essas deficiências são pouco comuns em gatos que recebem um alimento completo e balanceado adequado à fase de vida.
Se houver suspeita de relação com a dieta, não troque a alimentação nem inicie suplementos por conta própria. O veterinário pode avaliar o alimento atual, o peso, a condição corporal e outros sinais.
Para organizar melhor a rotina alimentar, veja também quantas vezes o gato come por dia.
Pulgas e outros ectoparasitas
Pulgas estão entre as causas mais importantes de coceira e perda de pelos em gatos. O animal pode se lamber ou morder tanto que os fios ficam quebrados ou desaparecem em determinadas regiões. Em gatos alérgicos à saliva da pulga, poucas picadas podem desencadear uma reação intensa.
Nem sempre o tutor encontra pulgas no gato, porque os felinos se limpam constantemente. Pequenos pontos escuros entre os pelos podem ser fezes de pulga e ajudam a levantar a suspeita.
O controle deve ser feito com produtos seguros e específicos para felinos. Nunca use antiparasitários destinados a cães sem orientação veterinária. Veja também como tirar pulga de gato de forma segura.
Dermatites e alergias
Alergias à picada de pulga, a componentes da alimentação ou a fatores ambientais podem provocar coceira, lambedura excessiva e perda de pelos. Alguns gatos também desenvolvem crostas, pequenas lesões, vermelhidão ou inflamação.
O tratamento depende da causa. Como diferentes alergias e doenças de pele podem produzir sinais semelhantes, a avaliação veterinária é importante para identificar o provável gatilho antes de definir a conduta.
Micose em gatos
A dermatofitose, conhecida popularmente como micose, é uma infecção causada por fungos que pode provocar áreas sem pelo, fios quebrados, descamação, crostas e alterações na pele. As lesões podem ter formato circular, mas nem sempre apresentam esse aspecto clássico.
A micose merece atenção especial porque pode passar entre animais e também para seres humanos. O diagnóstico veterinário pode envolver exame da pelagem, lâmpada de Wood, análise microscópica dos fios, cultura fúngica ou outros testes. Se houver suspeita, evite compartilhar escovas, mantas e objetos entre animais até receber orientação profissional.
Ácaros e sarnas
Diferentes espécies de ácaros podem causar coceira, crostas, descamação e perda de pelos em gatos. A sarna notoédrica, causada por Notoedres cati, pode afetar principalmente cabeça, orelhas e pescoço, enquanto outros ácaros também podem provocar alterações cutâneas.
O diagnóstico pode envolver raspados de pele, análise dos pelos e outros exames dermatológicos. O tratamento depende do parasita identificado e deve utilizar produtos seguros para gatos.
Estresse e lambedura excessiva
Estresse e ansiedade podem aumentar a lambedura e contribuir para a perda de pelos. Mudanças de ambiente, conflitos com outros animais, falta de recursos, alterações na rotina ou situações de insegurança podem participar do problema.

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Conhecer a Tagarrow_forwardPorém, não se deve concluir que a causa é emocional apenas porque o gato se lambe muito. Pulgas, alergias, infecções, dor e outras condições médicas também podem provocar lambedura excessiva. A chamada alopecia psicogênica é considerada somente depois que causas médicas relevantes foram investigadas.
Dor ou desconforto
Nem toda lambedura excessiva é causada por coceira ou estresse. Alguns gatos lambem repetidamente regiões doloridas ou desconfortáveis e acabam quebrando ou removendo os próprios pelos. Por isso, falhas provocadas por lambedura também podem levar o veterinário a investigar problemas além da pele.
Queda de pelo após uma doença
Alguns gatos podem apresentar aumento temporário da queda de pelos após uma doença importante. Alterações no ciclo de crescimento do fio podem fazer com que mais pelos entrem em fase de queda depois de um período de estresse fisiológico.
Se a pelagem continuar ficando mais rala, surgirem áreas sem pelo ou aparecerem outros sintomas, a queda não deve ser atribuída automaticamente à doença anterior e precisa ser avaliada.
Doenças sistêmicas menos comuns
Algumas doenças internas também podem alterar a aparência ou o crescimento dos pelos, principalmente quando existem outros sintomas ao mesmo tempo. O hipertireoidismo, por exemplo, pode deixar a pelagem descuidada, oleosa ou emaranhada e costuma ocorrer junto com perda de peso, aumento do apetite e mudanças na sede e na urina.
Outras condições hormonais, metabólicas, autoimunes ou neoplásicas podem causar alterações cutâneas, mas são menos frequentes do que alergias, parasitas e doenças de pele. Exames complementares são indicados conforme a idade, o histórico e os demais sinais do gato.
Gato pode ter alergia mesmo sem a pele estar vermelha?
Sim. Em alguns gatos, uma doença alérgica pode se manifestar principalmente por lambedura excessiva e perda de pelos, sem vermelhidão evidente para o tutor. A pele sob a região com menos pelos pode até parecer relativamente normal.
Por isso, a ausência de feridas ou vermelhidão não exclui coceira. Pulgas, alergias alimentares e alergias ambientais podem produzir diferentes padrões de reação na pele e precisam ser diferenciadas durante a investigação veterinária.
Castração pode fazer o gato perder pelo?
A castração não costuma causar queda de pelo generalizada e persistente. Uma alteração localizada e temporária pode ser percebida na área raspada para o procedimento, e o tempo de crescimento dos fios varia entre os gatos. Se surgirem falhas extensas, coceira, feridas ou a pelagem continuar ficando mais rala, vale procurar o veterinário para investigar outras causas.
O local da queda de pelo pode indicar a causa?
O local onde surgem as falhas pode dar pistas ao veterinário, mas não permite descobrir a causa sozinho. Diferentes doenças podem produzir padrões semelhantes, e um mesmo problema pode aparecer em regiões diferentes.
Onde aparece a alteração | O que pode levantar suspeita |
|---|---|
Base da cauda e região posterior do corpo | Pulgas e dermatite alérgica à picada de pulga estão entre as possibilidades. |
Barriga, flancos e parte interna das coxas | Pode haver lambedura autoinduzida por coceira, alergia, dor ou, depois de excluir causas médicas, fatores comportamentais. |
Cabeça, rosto, orelhas e pescoço | Alergias, parasitas, infecções e outras doenças dermatológicas precisam ser consideradas. |
Área circular com pelos quebrados e descamação | Dermatofitose, conhecida como micose, é uma das possibilidades. |
Região específica que o gato lambe repetidamente | Pode indicar coceira, mas também dor ou desconforto naquela área. |
Queda semelhante dos dois lados do corpo | Não significa automaticamente problema hormonal. Causas pruriginosas e dermatológicas também são frequentes. |
Como o veterinário descobre por que o gato está perdendo pelo?
O diagnóstico começa pelo histórico e pelo exame da pele e da pelagem. O veterinário avalia onde estão as falhas, se os fios estão quebrados, se existe coceira, crostas, descamação, parasitas ou sinais de outras doenças.
Nem sempre o primeiro objetivo é descobrir qual doença faz o pelo cair. Em muitos gatos, é importante identificar se o fio está caindo espontaneamente ou sendo quebrado pela lambedura. A tricografia, que analisa os fios ao microscópio, pode mostrar pontas quebradas e ajudar a reconhecer uma alopecia autoinduzida.
Dependendo do caso, a investigação pode incluir:
- Pente fino para procurar pulgas e resíduos do parasita.
- Raspados de pele e análise microscópica para pesquisar ácaros.
- Exames dos pelos, lâmpada de Wood, cultura fúngica ou outros testes quando há suspeita de micose.
- Citologia, cultura ou outros exames quando há suspeita de infecção da pele.
- Exames de sangue e urina quando existem sinais de doença sistêmica ou hormonal.
Em algumas situações, o diagnóstico também depende da resposta a estratégias orientadas pelo veterinário, como controle rigoroso de pulgas ou uma dieta de eliminação.
Meu gato está soltando muito pelo: o que posso fazer?
Se o gato apenas está soltando mais pelos, sem falhas, coceira, feridas ou mudanças de saúde e comportamento, observe o padrão e registre quando começou. Fotos tiradas em intervalos semelhantes podem ajudar a perceber se a pelagem está ficando mais rala.
Se houver áreas sem pelo, coceira intensa, feridas, crostas, vermelhidão, dor ou outros sintomas, não espere vários dias para ver se melhora. Agende uma avaliação veterinária.
Agende uma consulta veterinária quando houver alterações
A consulta é a forma mais segura de diferenciar uma muda normal de um problema dermatológico, parasitário, alérgico ou sistêmico. Leve informações sobre quando começou, onde aparecem as falhas, mudanças recentes na rotina, alimentação, controle de parasitas e outros sintomas.
Se o veterinário prescrever algum medicamento para tratar a causa da queda, veja também como dar remédio para gato de forma mais tranquila.
Revise a alimentação sem fazer suplementação por conta própria
Confira se o gato recebe um alimento completo e balanceado adequado à idade e condição de saúde. Não ofereça biotina, vitaminas, ômega ou outros suplementos apenas por causa da queda de pelo. Primeiro é importante entender se existe deficiência ou outra causa para o problema.
Reduza fatores de estresse
Mantenha recursos suficientes para o gato, como caixas de areia, água, comida, locais altos, esconderijos, arranhadores e oportunidades de brincadeira. Se a queda começou após uma mudança importante, vale observar como o animal está reagindo, mas sem assumir que o problema é apenas emocional.
Mantenha o controle de parasitas em dia
O controle regular de pulgas e outros parasitas deve seguir a orientação do veterinário e utilizar produtos próprios para gatos. Em casas com mais de um animal, pode ser necessário proteger todos os pets e também manejar o ambiente.
Escove o gato com frequência adequada
A escovação ajuda a retirar fios soltos, reduz o pelo espalhado pela casa e permite observar mais de perto a pele e a pelagem. A frequência depende do tipo de pelo e da tolerância do gato. Não force a escovação se houver dor, feridas ou irritação.
Gato soltando muito pelo pode ter mais bolas de pelo?
Pode. Durante a higiene, o gato engole parte dos pelos soltos. Quando há mais fios disponíveis, pode aumentar também a quantidade ingerida. A escovação regular ajuda a retirar parte desses pelos antes que sejam engolidos.

Porém, vômitos frequentes não devem ser tratados como normais apenas porque o gato forma bolas de pelo. Se os episódios se repetirem, houver falta de apetite, emagrecimento, constipação, apatia ou outros sintomas, procure o veterinário.
Como prevenir a queda excessiva de pelos em gatos?
Nem todas as causas de queda de pelo podem ser prevenidas, mas alguns cuidados diminuem o risco de problemas de pele e ajudam a perceber alterações mais cedo. Controle regular de parasitas, alimentação completa e balanceada, escovação adequada, ambiente com recursos e enriquecimento e consultas veterinárias periódicas são as principais medidas.
Também é importante conhecer o padrão normal de pelagem do próprio gato. Mudanças persistentes na quantidade de pelos, na textura, no comportamento de higiene ou na aparência da pele merecem investigação.
Mantenha o controle de parasitas
Pulgas podem causar perda de pelo mesmo quando o tutor não consegue encontrá-las. Mantenha o protocolo de prevenção indicado para o seu gato e para os outros animais da casa.
Ofereça alimentação completa e balanceada
Uma dieta adequada à fase de vida fornece os nutrientes necessários para manutenção da pele e dos pelos. Evite restrições alimentares ou suplementação sem orientação profissional.
Escove e examine a pele regularmente
A escovação é uma oportunidade para perceber áreas com pelo mais curto, crostas, descamação, feridas, nódulos, parasitas ou regiões doloridas antes que o problema se torne mais evidente.
Reduza fatores de estresse
Ambiente previsível, recursos bem distribuídos, locais para esconderijo, brincadeiras e possibilidade de subir e observar o espaço ajudam no bem-estar. Em casas com vários gatos, evite competição por comida, água, caixas de areia e locais de descanso.
Mantenha o acompanhamento veterinário
Consultas periódicas ajudam a identificar mudanças na pele, no peso e na saúde geral. A frequência deve ser definida conforme idade, histórico e condição clínica do animal.
Leia mais: Quanto um gato deve beber de água por dia?
Quando a queda de pelo em gatos pode ser preocupante?
Alguns sinais indicam que a perda de pelo não deve ser tratada apenas como muda normal e justificam avaliação veterinária.
De acordo com a Dra. Juliana Beatriz Julio, mais importante do que observar apenas a quantidade de pelos espalhados pela casa é perceber se houve mudança no padrão da pelagem. Falhas, fios quebrados, coceira, crostas, feridas ou lambedura insistente são sinais que merecem investigação veterinária.
- Áreas com pelo visivelmente mais ralo ou falhas na pelagem.
- Pelos quebrados ou muito curtos em uma região específica.
- Coceira ou lambedura intensa e repetitiva.
- Crostas, feridas, descamação, vermelhidão, secreção ou mau cheiro na pele.
- Perda de pelo acompanhada de emagrecimento, mudança de apetite, aumento da sede, vômitos, diarreia ou apatia.
- Dor ao tocar determinada região ou mudança na forma de andar e se movimentar.
Atenção a feridas que não cicatrizam: se a perda de pelo estiver acompanhada de feridas, nódulos ou lesões ulceradas, principalmente no rosto, focinho, orelhas ou patas, procure atendimento veterinário. Entre as doenças que precisam ser descartadas está a esporotricose, uma infecção causada por fungos que pode afetar gatos e ser transmitida para seres humanos.
Se a queda estiver acompanhada de outros sintomas, como vômito de espuma branca, perda de peso ou prostração, a avaliação veterinária se torna ainda mais importante.
Na Petzay, você pode registrar quando a queda começou, mudanças na rotina, sintomas, exames e tratamentos no Histórico do animal. Essas informações ajudam a organizar o que foi observado para compartilhar com o médico-veterinário durante a consulta.
O PetAI também pode ajudar a organizar dúvidas sobre os sinais percebidos, mas não substitui a avaliação veterinária quando existem falhas no pelo, coceira, feridas ou outras alterações na pele.
Gato soltando pelo nem sempre significa doença. O ponto principal é diferenciar a troca natural de uma perda que altera a aparência da pelagem ou vem acompanhada de coceira, lambedura, lesões de pele ou outros sintomas.
Muitas causas podem ser controladas depois que o problema é identificado. Por isso, evite atribuir falhas no pelo apenas ao estresse ou tentar corrigir o problema com suplementos sem saber a origem. Pulgas, alergias, micose, ácaros, dor e outras doenças precisam de abordagens diferentes.
A Redação Petzay reúne conteúdos sobre saúde, comportamento e bem-estar animal, produzidos com base em especialistas e fontes veterinárias reconhecidas e revisados periodicamente para oferecer informações claras e responsáveis aos tutores.
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Dra. Juliana Beatriz Julio é médica-veterinária, CRMV-SP 65323, e CEO do pet shop JB Petzz, localizado em São Paulo. Atua na área de saúde e bem-estar animal, com experiência no cuidado de cães e gatos e conhecimentos em nutrição animal, prevenção de doenças e cuidados relacionados à rotina dos pets. Na Petzay, contribui com a revisão técnica dos conteúdos, ajudando a garantir que as informações publicadas sejam precisas, responsáveis e alinhadas às boas práticas da medicina veterinária.
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